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Denominação

Nome popular: Anta
Nome científico: Tapirus terrestris (Linnaeus, 1758)
Família: Tapiriidae
Classe: Mammalia

Distribuição

Descreva sua distribuição global: A anta brasileira tem ampla distribuição geográfica, estendendo-se desde o Norte da Colômbia a Leste da Cordilheira dos Andes, através de grande parte da América do Sul até o Nordeste da Argentina e Paraguai, em elevações de até 2.000 m (Hershkovitz, 1954; Medici et al., 2007; Taber et al., 2007; Medici, 2011). A espécie ocorre em 11 países – Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela – e 21 eco-regiões diferentes. Originalmente, a distribuição histórica da espécie cobria cerca de 13.129.874 km². Em 2005, a espécie foi considerada extinta em 14% desta área, sendo que, no Brasil, as principais reduções foram no nordeste e sul (Taber et al., 2007). De acordo com dados do IBGE (2012), no período de 2010 a 2012 o Brasil perdeu 1,8% de sua vegetação florestal (59.230 km², predominantemente Amazônia e Mata Atlântica) e 7,8% de vegetação natural não arbórea (149.670 km², predominantemente Cerrado e Caatinga) o que, projetado para 33 anos, ou três gerações da espécie, representa 30% ou mais de perda de habitat e declínio populacional associado. Os dados de conversão de áreas nativas em áreas cultivadas para o período entre 2000 e 2010, segundo o IBGE (2012), demonstram ainda um grande crescimento das áreas de pastagens plantadas (38,8% ou 240.600 km²) e áreas agrícolas (19,2% ou 77.700 km²), o que corrobora na redução de habitat apropriado para a sobrevivência da espécie. FONTE SAVE ICMBIO
Estados em que está presente?: -
Em quais biomas está presente?: -

História Natural

Trata-se de espécie migratória: Sim
Descreva aqui seu histórico: As antas permanecem inativas e descansam durante o dia e saem durante a noite para forragear e se alimentar (Medici, 2011). A longevidade em cativeiro pode ultrapassar 30 anos de idade (Nowak, 1999), embora na natureza as estimativas sejam de cerca de 20-25 anos (Medici, 2011; Medici et al., 2012; E.P. Medici, dados não publicados, Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) - Programas Anta Pantanal e Cerrado - IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas). As antas ocorrem em baixa densidade populacional e são, na maioria das vezes, avistadas sozinhas ou em no máximo dois ou três indivíduos, que são em geral aparentados (Medici, 2011). As antas se locomovem bem na água, sendo observadas nadando entre ilhas mais de 450 vezes em uma paisagem afetada por uma usina hidrelétrica (Benchimol & Peres, 2015). Na mesma área de estudo (Usina Hidrelétrica de Balbina), Pinho et al. (2014) realizaram um estudo genético a partir de amostras de fezes e encontraram evidências de que antas são poligâmicas e não formam unidades familiares. A hipótese de que antas formam unidades familiares foi levantada por estudos com anta centro-americana (Tapirus bairdii) no Parque Nacional de Corcovado na Costa Rica (C.R. Foerster, dados não publicados). Tais unidades familiares seriam definidas por alta porcentagem de sobreposição de áreas de vida de indivíduos geneticamente relacionados (i.e. pais e filhos), área essa da qual indivíduos não aparentados seriam excluídos. No entanto, o estudo de Pinho et al. (2014) foi realizado em uma área sob alto impacto humano e resta saber se o comportamento encontrado neste local é resultado desse impacto ou natural da espécie. FONTE SAVE ICMBIO

Hábito e Uso

Como é o seu habito?: Ativo de noite
Como se locomove?: Terrestre
De que se alimenta?: Frutos

Ameça

Minas Gerais: Atropelamento em rodovias (Ascensão et al., 2017; Desbiez & Medici, 2017; Ascensão et al., 2019; Medici & Abra, 2019; Abra et al., 2020): Entre Março de 2013 e Março de 2020 foram registradas 613 carcaças de antas mortas por colisões com veículos em 34 rodovias estaduais e federais que cortam áreas de Cerrado no Estado do Mato Grosso do Sul (84 meses de monitoramento, aproximadamente 7 antas por mês) (E.P. Medici, com. pess., 2021. Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), Programa Anta Cerrado, IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas); Caça: extração direta de indivíduos (falta de patrulhamento em áreas protegidas); Contaminação por agrotóxicos utilizados na agricultura (particularmente soja, milho e cana-de-açúcar), pecuária e mineração: Entre Setembro de 2015 e Maio de 2017, foram coletadas 242 amostras biológicas procedentes de 29 antas capturadas vivas (para a instalação de colar de telemetria satelital) e de 87 carcaças de antas atropeladas em rodovias do Estado do Mato Grosso do Sul (Medici et al., 2021). Parte do estudo foi voltada para a detecção de resíduos de agrotóxicos e metais pesados. As amostras incluíram: coxim (85), probóscide (17), conteúdo estomacal (27), fígado (26), sangue total (42), osso (22) e unha (23). Os exames de toxicologia detectaram a presença de resíduos de 13 diferentes substâncias tóxicas - incluindo ORGANOFOSFORADOS (diazinon, mevinfos, malationa, diclorvos, dimethoate), PIRETRÓIDES (deltametrina, permetrine), CARBAMATOS (aldicarb, carbaril) e/ou METAIS PESADOS (chumbo, cobre, manganês, cádmio) - em 41% das amostras avaliadas (100/242) (Medici et al., 2021). De acordo com os órgãos governamentais reguladores, todas as substâncias detectadas são consideradas de elevada toxicidade (classificação toxicológica I ou II) e são perigosas ao meio ambiente. Dentre elas, foi encontrado um produto de uso proibido no Brasil (ALDICARB), em elevada concentração e alta prevalência relativa. Os resultados obtidos sugerem um evidente risco à saúde das antas, bem como do homem e de outras espécies que utilizam este ambiente antropizado. Vale salientar que a detecção de agentes tóxicos em amostras de coxim e probóscide confirma que as antas estão expostas a estas substâncias no ambiente que habitam por contato direto com as plantas e/ou solo e/ou água contaminados. A análise de amostras de conteúdo estomacal demonstra exposição pela ingestão de plantas nativas contaminadas e/ou de itens das culturas agrícolas eventualmente utilizados como recurso alimentar. Além disso, a detecção de resíduos de agrotóxicos em amostras de fígado e sangue demonstra que ocorre a metabolização dos agentes tóxicos pelo organismo do animal, o que o predispõe a processos patológicos capazes de interferir na sua longevidade, estado de saúde ou em aspectos reprodutivos extremamente relevantes para a viabilidade da espécie. Amostras de unha e osso nos permitem ainda avaliar o acúmulo de substâncias tóxicas (especialmente de metais pesados) no organismo dos animais ao longo dos anos; Desmatamento e/ou alteração do habitat: perda de hábitat para a espécie; Fragmentação do habitat: isolamento, pequenas populações, baixa conectividade; Pecuária extensiva: efeito de pisoteamento no sub-bosque, competição, número de fios das cercas; Fogo: mortalidade de indivíduos e perda de hábitat; Doenças infecciosas (Fernandes-Santos et al., 2020) FONTE SAVE ICMBIO
Brasil: Nas últimas três gerações da espécie, o país perdeu cerca de 30% da vegetação nativa, provocando redução populacional semelhante ou até maior. Entre as principais ameaças estão a expansão agropecuária, a fragmentação de habitats, queimadas, atropelamentos, agrotóxicos, caça e urbanização. Como essas pressões tendem a continuar, a espécie é classificada como vulnerável.
Mundo: -

Thais Drumond

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